A guerra comercial tarifária entre Trump, dos EUA, e Xi, da China, se amplia a cada dia, trazendo volatilidade e incerteza para os mercados. No momento atual, não há consenso sobre o que o futuro nos reserva.

Uma das teses é que o efeito colateral de tamanha disfunção nas cadeias de suprimento seja a estagflação. Estagflação é quando a economia está estagnada (sem crescer, com desemprego alto) e, ao mesmo tempo, há inflação (preços subindo). Isso é um problema porque, normalmente, quando a economia está parada, os preços não sobem — as pessoas estão comprando menos, as empresas vendendo menos, então os preços tendem a cair ou ficar estáveis.
O prognóstico atual dos Estados Unidos é de uma economia forte, resiliente, com desemprego baixo e inflação em queda. Todavia, como já mencionei, o tarifaço pode levar a economia a desacelerar a tal ponto que os insumos para produzir bens e serviços no país sejam prejudicados por causa do choque na oferta, enquanto o consumo se mantém constante por conta dos salários ainda elevados.


Esses efeitos econômicos ainda não estão presentes de forma clara. O salário ainda está em crescimento, o PIB ainda está na média, e o desemprego ainda está baixo. Mas isso pode mudar rápido.
Bom, tudo mais constante nesse cenário, como resolver?
Aí o jogo complica. Estagflação é um dos piores cenários possíveis porque combina o que há de mais ingrato: economia parada e preços subindo. Se isso não bastasse, as ferramentas tradicionais de política monetária se contradizem nesse contexto.
Se você sobe os juros para segurar a inflação, piora a estagnação. Se você baixa os juros para estimular o crescimento, piora a inflação. É um beco sem saída clássico.
Então, o que se faz? Normalmente, o banco central escolhe o “mal menor” no curto prazo — e isso costuma significar atacar a inflação primeiro, mesmo que doa no crescimento. Ou seja, sim, ainda se usa alta de juros, mas com muito mais cautela, dosando no conta-gotas e sempre em conjunto com políticas fiscais ou estruturais que estimulem a produtividade, o investimento e o emprego.
Na prática, para combater a estagflação de verdade, só política monetária não dá conta. Tem que haver uma articulação maior entre governo e Banco Central, mexendo em imposto, subsídio, reforma, mercado de trabalho…
Nos anos 70, os Estados Unidos enfrentaram um combo explosivo: uma crise energética combinada com erro de política econômica. Foi o famigerado Choque do Petróleo, em 1973.
A OPEP (grupo dos países produtores de petróleo) cortou drasticamente a produção e impôs um embargo ao petróleo vendido para os EUA e outros países ocidentais. O preço do petróleo quadruplicou, e tudo que dependia de energia ficou mais caro (logística, transporte, produção...).
No lado da economia, havia desemprego crescente e uma confiança do consumidor muito frágil por conta do choque do petróleo. Como sempre, o FED demorou para agir. Para compensar o atraso, baixaram os juros e imprimiram mais moeda — o que só piorou a inflação e não resolveu o problema do crescimento.

A resolução veio quando o presidente do FED, Paul Volcker, subiu os juros para 20%, gradativamente. Isso causou uma recessão forte, mas eliminou a inflação sem deixar vestígios.

Mas por que eu estou te contando essa historinha? Porque estagflação nlão se resolve com "meia medida". E o Powell é muito dovish para enfrentar essa de frente e, cá entre nós, acho que ele nem quer.
Uma das teses é que o efeito colateral de tamanha disfunção nas cadeias de suprimento seja a estagflação. Estagflação é quando a economia está estagnada (sem crescer, com desemprego alto) e, ao mesmo tempo, há inflação (preços subindo). Isso é um problema porque, normalmente, quando a economia está parada, os preços não sobem — as pessoas estão comprando menos, as empresas vendendo menos, então os preços tendem a cair ou ficar estáveis.
O prognóstico atual dos Estados Unidos é de uma economia forte, resiliente, com desemprego baixo e inflação em queda. Todavia, como já mencionei, o tarifaço pode levar a economia a desacelerar a tal ponto que os insumos para produzir bens e serviços no país sejam prejudicados por causa do choque na oferta, enquanto o consumo se mantém constante por conta dos salários ainda elevados.
Esses efeitos econômicos ainda não estão presentes de forma clara. O salário ainda está em crescimento, o PIB ainda está na média, e o desemprego ainda está baixo. Mas isso pode mudar rápido.
Bom, tudo mais constante nesse cenário, como resolver?
Aí o jogo complica. Estagflação é um dos piores cenários possíveis porque combina o que há de mais ingrato: economia parada e preços subindo. Se isso não bastasse, as ferramentas tradicionais de política monetária se contradizem nesse contexto.
Se você sobe os juros para segurar a inflação, piora a estagnação. Se você baixa os juros para estimular o crescimento, piora a inflação. É um beco sem saída clássico.
Então, o que se faz? Normalmente, o banco central escolhe o “mal menor” no curto prazo — e isso costuma significar atacar a inflação primeiro, mesmo que doa no crescimento. Ou seja, sim, ainda se usa alta de juros, mas com muito mais cautela, dosando no conta-gotas e sempre em conjunto com políticas fiscais ou estruturais que estimulem a produtividade, o investimento e o emprego.
Na prática, para combater a estagflação de verdade, só política monetária não dá conta. Tem que haver uma articulação maior entre governo e Banco Central, mexendo em imposto, subsídio, reforma, mercado de trabalho…
Nos anos 70, os Estados Unidos enfrentaram um combo explosivo: uma crise energética combinada com erro de política econômica. Foi o famigerado Choque do Petróleo, em 1973.
A OPEP (grupo dos países produtores de petróleo) cortou drasticamente a produção e impôs um embargo ao petróleo vendido para os EUA e outros países ocidentais. O preço do petróleo quadruplicou, e tudo que dependia de energia ficou mais caro (logística, transporte, produção...).
No lado da economia, havia desemprego crescente e uma confiança do consumidor muito frágil por conta do choque do petróleo. Como sempre, o FED demorou para agir. Para compensar o atraso, baixaram os juros e imprimiram mais moeda — o que só piorou a inflação e não resolveu o problema do crescimento.
A resolução veio quando o presidente do FED, Paul Volcker, subiu os juros para 20%, gradativamente. Isso causou uma recessão forte, mas eliminou a inflação sem deixar vestígios.
Mas por que eu estou te contando essa historinha? Porque estagflação nlão se resolve com "meia medida". E o Powell é muito dovish para enfrentar essa de frente e, cá entre nós, acho que ele nem quer.
Este é um estudo pessoal e não recomendação de investimento. Negocie pelo seu próprio risco.
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Pernyataan Penyangkalan
Informasi dan publikasi ini tidak dimaksudkan, dan bukan merupakan, saran atau rekomendasi keuangan, investasi, trading, atau jenis lainnya yang diberikan atau didukung oleh TradingView. Baca selengkapnya di Ketentuan Penggunaan.
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